24 dezembro 2025

Natal além da data: o nascimento de Cristo e a luz para o mundo

Natal significa natividade. Não se trata apenas de uma comemoração de aniversário, mas da celebração de um acontecimento que mudou a história: Deus se fez carne e habitou entre nós. Mais do que uma data no calendário, o Natal é uma afirmação de fé que atravessa séculos, culturas e debates históricos. A Escritura declara: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade” (João 1:14). É essa verdade que sustenta a celebração cristã, independentemente do dia escolhido para lembrá-la.

Os Evangelhos não registram o dia exato do nascimento de Jesus, e isso não ocorre por descuido, mas por propósito. O centro da narrativa bíblica não está no calendário, mas no significado do evento. Não importa a data, Ele nasceu, e esse nascimento representa a entrada definitiva de Deus na história humana. Mateus e Lucas relatam a natividade destacando o cumprimento das promessas messiânicas e não a precisão cronológica (Mateus 1–2; Lucas 2). O que se celebra é o fato de que Deus cumpriu o que havia prometido: “Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho” (Gálatas 4:4).

Ao afirmar que o Verbo se fez carne, a fé cristã proclama a encarnação. Deus não permaneceu distante, mas assumiu a condição humana, com suas limitações e fragilidades. Ele nasceu de forma simples, fora dos ambientes de destaque e prestígio de sua época. Pessoalmente, entendo essa simplicidade não apenas como resultado de circunstâncias, mas como parte de um propósito soberano. Não vejo José necessariamente como um homem miserável, mas como alguém de ofício, trabalhador digno dentro da realidade do seu tempo. Da mesma forma, o fato de não haver outro local disponível não exclui o plano divino; ao contrário, pode ter sido exatamente o meio pelo qual o Pai revelou, desde o início, o caráter do Filho.

Lucas registra que Maria “deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em panos e o deitou numa manjedoura” (Lucas 2:7), um sinal claro de que a grandeza divina se revela de maneira diferente dos padrões humanos. Com esse nascimento, o mundo viu a sua luz. Não uma luz apenas simbólica ou estética, mas uma luz espiritual capaz de romper as trevas da ignorância, do medo e do pecado. Isaías anunciou: “O povo que andava em trevas viu uma grande luz” (Isaías 9:2), e o próprio Jesus confirmou: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas” (João 8:12). É uma luz que brilha muito mais do que qualquer aglomerado de luzes, mais intensa do que enfeites, vitrines ou tradições visuais, pois ilumina o interior do ser humano e revela o caráter de Deus.

Historicamente, a celebração do Natal no dia 25 de dezembro se consolida a partir do século IV. A escolha da data dialoga com festividades pagãs ligadas ao solstício de inverno no Império Romano, mas isso não define o conteúdo da fé cristã. A Igreja não passou a celebrar o sol, e sim Aquele que o criou. Onde antes se exaltava a luz criada, passou-se a anunciar a Luz verdadeira. Como afirma o evangelho: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (João 1:4).

Com o passar do tempo, o Natal também incorporou elementos culturais e comerciais, mas seu significado essencial permanece. Celebrar o Natal é lembrar que Deus escolheu nascer pequeno para ensinar grandeza, escolheu a humildade para confrontar o orgulho humano e escolheu o amor como resposta ao pecado e à morte. O profeta já havia declarado: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Isaías 9:6).

Assim, independentemente das discussões sobre origem da data ou influências culturais, o Natal continua proclamando uma verdade central da fé cristã: Deus está conosco. O Verbo se fez carne, habitou entre nós, e a sua luz continua brilhando, não limitada a um dia específico, mas presente em toda a história, transformando vidas e revelando esperança ao mundo.




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