06 fevereiro 2018

Stryper - God Damn Evil


1) Stryper SEMPRE foi uma banda polêmica. Uma banda cristã usando blush, batom, púrpura, fotos promocionais parecendo prostitutas de esquina, nos anos 80, fazem essa capa e esse título parecerem brincadeira de criança.

2) Capa polêmica? Praticamente todas: Soldiers (soldados de Deus empunhando metralhadoras, na frete de um tanque de guerra); To Hell (foi tão polêmica que foi boicotada e tiveram que fazer outra); IGWT (usando a frase que está em todas as notas de dólar para criticar o amor ao dinheiro); Against the Law (eles atrás das grades).

3) Título polêmico envolvendo "palavrão"? Já fizeram isso lá atrás, com "To Hell With The Devil". E isso foi nos anos 80. Muito mais escandaloso.

4) Stryper foi tão "polêmico" e controverso que pastores televisivos americanos (como o Jimmy Sweggart - o Silas Malafaia americano) gastaram programas de TV falando aos pais que não permitissem que os filhos escutem Stryper.

5) Sobre o novo disco: "God Damn it" é um termo ofensivo, sim. As pessoas dizem "God Damn it" quando estão iradas. É tipo um "Vai a merda!" ou "Puta merda!" aqui do Brasil. É um "palavrão", mas não tem conotação sexual. É um palavrão tanto quanto "To Hell...", é uma expressão que os americanos falam quando estão putos com alguma coisa.

6) Qual foi a sacada do Stryper? Deus "puto" com o mal, com a "Babilônia". Na imagem, vemos uma grande metrópole, sinais de $, anúncios relacionados a prostituição, gula, consumismo, símbolos de multinacionais, e uma figura que representa Deus (junto com seus anjos) vindo destruir todo esse mal.

7) É algo que vai acontecer? Deus destruindo coisas assim? Ninguém sabe. Existem exemplos na Bíblia de Deus vindo destruir tudo. Mas, isso é irrelevante. A capa apresenta uma representação artística para ilustrar uma ideia. Da mesma forma como ninguém deve acreditar que para ser um "soldado de Deus" precisa empunhar armas, só porque isso está na capa de um disco do Stryper.

8) "Ah, mas Deus está parecendo Zeus." E daí? Ninguém nunca viu Deus, nem sabe como ele/ela/isto é. (Na verdade, ninguém nunca viu Poseidon também). Quando buscamos representar Deus, na arte, ou num texto, usamos uma coisa que na teologia chamamos de "antropomorfismo", que é atrubir formas humanas a Deus. Os autores bíblicos fizeram isso várias vezes, como quando dizem que "os olhos de Deus estão em todos os lugares" - Deus não tem olho. Deus é espírito. Um vento. Não tem forma, nem cabeça, nem olhos.

9) "Ah... eu não gostei. Achei forçado". Ok. mas isso é opinião pessoal sua. Eu adorei. É Stryper sendo Stryper. Polêmico e deixando os religiosos de cabelo em pé.

10) "Ah, mas vocês elogiam tudo o que eles fazem. São cegos idólatras". Pelo contrário. Por exemplo, embora tenha achado a ideia, o título e a representação da capa muito legais e geniais, achei esse "Deus" photoshopado demais e meio destoado do restante da arte. Deus está olhando pra cima com cara de galã. Poderiam ter feito um Deus irado, com sobrancelha fechada, olhando para toda a destruíção com ira. Ficaria bem mais legal.

Fonte: https://www.facebook.com/stryperbrazil777

EXPLICAÇÕES SOBRE A CAPA POLÊMICA

Este texto representa a opinião de um dos moderadores da página. Não de todos, e não é a opinião da página em si.

QUE TIRO FOI ESSE?

Que tiro foi esse? Que deram nos cérebros brasileiros roubando-lhes a capacidade de pensar sobre o que cantam e não proclamar o que encanta. Que tiro foi esse? Que acertou os tímpanos do nosso povo fazendo-os ouvir lixo achando que é música. Que tiro foi esse? Que acertou os olhos de uma nação fazendo-os cegos às mazelas do nosso país. Que tiro foi esse? Que paralisou o nosso povo impedindo-os de reagir aos constantes assaltos aos cofres públicos. Que tiro foi esse? Ah, Brasil! Que tiro foi esse que nos acertou em cheio, que roubou o nosso brilho e que nos fez retroceder? É verdade que nós não sabemos de onde veio o tiro, mas é bem certo que esse tiro já derrubou muita gente. Que Deus nos ajude!! Arnaldo Jabor

20 março 2017

A Luz no Fim do Túnel é um Trem na Contramão


Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior. A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros há um caminho ascendente, e nesse caminho, uma mureta. Ao longo dessa mureta, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas. Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam. 

Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens , nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam, e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna. Um dia, um desses prisioneiros se liberta. Em primeiro lugar, com muito sacrifício e dor, por nunca ter se movimentado, olha toda a caverna, vê os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começa a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, e nele adentra. Num primeiro momento, fica completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele fica inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostuma-se com a claridade, vê os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxerga as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens e que somente agora está contemplando a própria realidade. Tudo é uma linda novidade: as pessoas, a luz, as árvores, o vento. Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressa à caverna. Logo fica desnorteado pela escuridão, mas com sacrifício, apalpando as paredes, em meio a tropeções, ele entra e conta aos outros o que viu e tenta libertá-los. Mas os demais prisioneiros zombam dele, não acreditam em suas palavras. Logo ele, que agora está tão cego que nem consegue andar pela caverna sem tropeçar. "Ele está cego" dizem seus companheiros. Sem conseguir silenciá-lo com suas caçoadas, tentam fazê-lo espancando-o e, mesmo assim, ele teima em afirmar o que viu e os convida a sair da caverna. Eles acabam por matá-lo.

Com certeza essa alegoria escrita por Platão seja uma das mais interessantes e mais usadas pra se falar sobre qualquer evolução ou libertação intelectual ou espiritual. Talvez ela já tenha sido usada para se falar de vários assuntos, das maneiras mais nobres até as mais pobres possíveis. Aqui me ponho a usa-la, até mesmo pelo fim que levou o libertador da caverna, para citar uma certa libertação.
A cena é essa: pessoas presas a rituais, regras, listas inacabáveis do que se pode e não se pode fazer. Alguém, de forma libertadora, chega ao mundo-caverna falando sobre o que é a vida de verdade. O messias falava contra a cegueira e a prisão, sem cerimônias. Foi chamado de cego, beberrão e comilão, herege, endemoninhado. Tentaram calá-lo caçoando dele. Depois batendo. Ameaçando-o de morte. E por fim, o matando. Triste perceber que a igreja, ou no mínimo seus líderes, o fez. "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"? ele dizia. Então respondiam, com ar de libertos, mesmo estando em correntes desde que nasceram: "Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém, como dizes tu: Sereis livres?"
Estou certo de que se algum morador da caverna que o ouviu, se empenhe em tentar sair da caverna-mundo-pensamentoeclesiástico, será chamado de louco. Se olhar para os lados e disser que o que essas pessoas vêem são só sombras, com certeza terá o mesmo destino do libertador. Os presos se acham livres, e acham que loucos são os que tentam se libertar. Os presos são cegos, e acham que cegos são os que viram a luz de verdade, lá fora.

Pode parecer só um texto, só uma teoria copiada. Mas passa disso.

E todos vamos ler esse texto nos achando um dos que tentam se libertar. Mas somos os cegos e inertes da caverna, presos e cômodos ao que chamamos de cristianismo, sem percebermos que libertar era o principal objetivo do messias que morreu condenado por nossas cópias antigas. Somos justamente os que matarão os que tentarem se levantar. Prova disso são nossas listas imensas? como a dos antigos? do que se pode e não se pode fazer, enquanto estamos presos, chamando uns aos outros de irmãos libertos. Seguimos com uma lista na mão, uma pedra na outra. Tentar viver sem essa lista? isso se chamava Graça? vai ser o primeiro mover tentando soltar as correntes. Tentar viver sem julgar os que fazem o que você adoraria fazer? enquanto nega que não? seria outro mover na tentativa de se libertar. E aos líderes desrespeitosos que se acham os próprios libertos, seguirão chamando a todos de cegos, olhando sombras na parede da caverna, e crucificando qualquer um que ouse questionar. Os conheço há milênios...

Ricardo Borges

13 março 2017

Drone sobrevoa a cidade de Caiapônia (GO) e o resultado é de tirar o fôlego



Cachoeiras, aventura e o cinematográfico Morro do Gigante Adormecido no belíssimo registro do projeto 'Drone da Montanha'

Cachoeiras e morros fazem de Caiapônia um destino para os que gostam de aventura. Para quem curte rapel em cachoeira, mountain bike e caminhadas em trilhas as cachoeiras da Samambaia e da Abóbora são paradas obrigatórias. A cidade também abriga outras belezas naturais, como o Morro do Gigante Adormecido, que lembra um rosto humano de perfil.

Para registrar essa região sob diferentes ângulos, o projeto Drone da Montanha percorreu e sobrevoou os principais pontos turísticos do município e o resultado é de tirar o fôlego. A equipe também fez outro brilhante trabalho na Chapada dos Veadeiros com um vídeo já visto mais de 135 mil vezes.

Desta vez, o lugar escolhido foi a cidade localizada no coração do Brasil, sudoeste de Goias, privilegiada pela natureza e uma das regiões com maior potencial turístico do Centro-Oeste.

Como chegar: Caiapônia fica 318 km de Goiânia e 549 de Brasília. Acesso pela Rodovia dos Romeiros até Iporá-GO, depois acesso pela rodovia GO-221.

O que fazer: Rapel, trilha, mountain bike e esportes radicais nas Cachoeiras da Samambaia, da Abóbora, da Jalapa, do Salto de São Domingos, de Santa Helena e de Salomão; Banhos mais tranquilos no Balneário do Lajeado; Rapel e trilhas no Morro do Gigante Adormecido.

Informações de hospedagem e alimentação: Prefeitura de Caiapônia: (64) 3663-1025 | Secretaria de Turismo de Caiapônia: (64) 3663-2868 | Secretaria de Desporto e Lazer de Caiapônia: (64) 3663-1899

Fonte: Curta Mais

03 novembro 2016

Frases de Fé e Gratidão

Há um ano, venho postado frases sobre Fé e Gratidão em minha Timeline do Facebook. Estarei compartilhando esse álbum também para não usuários da rede social.

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.896106093824303.1073741839.100002747620677&type=1&l=a0cbee6337

06 setembro 2015


No dia em que ia morrer, Aylan Kurdi usava calças azuis e uma camiseta vermelha. A mãe deve tê-lo penteado, ainda que fossem poucos os fios, e tão finos. Agachando-se diante dele, ou segurando-o sobre os joelhos, amarrou-lhe os sapatos e fez, pela última vez, o laço. Aylan caminhou até o porto, com passinhos curtos, ou foi levado no colo? No colo, possivelmente - os braços envolvendo o pescoço da mãe, cabeça reclinada sobre o ombro dela - para não atrasar a marcha rumo à morte. Até ontem, o mundo não conhecia Aylan, sírio, três anos. Hoje, sua boca colada à areia, as mãozinhas com as palmas para cima, estampam jornais, deslizam nas telas dos computadores, se agarram à nossa retina. Ao contrário de outras dezenas (milhares?) que foram dar à praia, ou jazem do fundo do mar, de Aylan se sabe o nome, a idade, e que tinha um irmão, que também caminhou com ele (ou foi levado no colo, pelo pai) naquela madrugada, rumo ao porto. E esse nome o humaniza (dar nome a uma coisa é uma forma de amá-la). O corpo anônimo emborcado na praia é um ilegal, uma estatística - Aylan, sírio, três anos, trazido pelas ondas, é a criança que fomos, a que levamos ao pediatra, a que dorme no berço ao lado da nossa cama. A vida não foi cruel com Aylan. Poupou-o de morrer na guerra, entre poeira, gritos e estilhaços. De ser mutilado, ver a mãe estuprada, o pai degolado. Poupou-o da fome nos campos de refugiados. Poupou-o da longa jornada sobre os trilhos até ser barrado pelos soldados de Montenegro. Poupou-o das cercas de arame farpado da Hungria, dos caminhões frigoríficos da Áustria, das patrulhas da Inglaterra sob o Canal da Mancha - da polícia italiana, dos xenófobos franceses, dos neonazistas alemães. Em três, quatro minutos, a água salgada invadiu suas narinas, inundou seus pulmões. Nesses infinitos três, quatro minutos, procurou pela mãe, pelo braço do pai, sem entender porque o abandonavam. Então sentiu sonolência - e mar, mãe, medo se tornaram uma coisa só, depois coisa nenhuma. Aylan não sabia, naquela manhã, que era para a morte que o vestiam de camiseta vermelha e calças azuis. Na foto em que se deu a conhecer ao mundo, o Mediterrâneo, não a mãe, é que penteia seus cabelos. Não consigo fixar o olhar no seu rosto, nem me demorar nas suas mãos vazias. O que me afoga, junto com ele, com as esperanças de tantos que fogem como ele e ficam pelo caminho, são seus sapatinhos. Por Eduardo Affonso / https://www.facebook.com/profile.php?id=1523959627&fref=photo

29 dezembro 2014

Pastor deixa drogas e rock and roll no passado para guiar Medina


A igreja que Gabriel Medina frequenta em Boiçucanga não poderia ser mais apropriada para um campeão do WCT. Do púlpito, formado por uma prancha de surfe invertida, o pastor não abandona as gírias praianas nem mesmo na hora de cativar os seus fiéis. "A nossa filosofia é a Bíblia, tá ligado? É Jesus andando na areia, surfando - porque ele andou em cima da água, então foi o primeiro surfista da humanidade -, conversando, assando um peixe, fazendo os seus milagres aqui e ali", explica o sujeito de braços tatuados, com uma serenidade que contrasta com o seu passado turbulento.
Pastor da Igreja Evangélica Bola de Neve de Boiçucaga desde 2001 (ele colaborou com a fundação dessa unidade, a primeira criada após a matriz em São Paulo, quando deu "um rolê pelo litoral"), André Catalau foi usuário de drogas dos 12 aos 38 anos. "Eu era cantor de rock, e isso é um passaporte carimbado para a loucura, com tudo pago. Pirei mesmo. Já tinha uma tendência, porque a minha família é americana, muito liberal. Pô, perdi a minha irmã de overdose. O meu irmão, de cirrose. E eu estava no mesmo caminho. Queria morrer, descansar. Tive várias internações psiquiátricas, fui preso", conta, aos 55 anos, com o orgulho de quem diz não ingerir nenhum alucinógeno há mais de 15.
A banda paulistana que Catalau liderava era o Golpe de Estado, formada em 1985. O grupo de hard rock, com influências do blues e do heavy metal, marcou época no cenário underground. Chegou a abrir um show para os ingleses do Deep Purple e a fazer algumas aparições na televisão, como no programa de entrevistas comandado por Jô Soares. O declínio coincidiu com o apogeu do vício do vocalista, já cobrado por seus companheiros por faltar em shows e ensaios.
Catalau encontrou outro rumo para a sua vida quando estava debaixo do Minhocão, em São Paulo, com um cachimbo de crack na boca. "Meu tio foi lá me buscar e me levou para um centro de reabilitação evangélico. Pô, eu acabava de ter uma PT, uma perda total. Meu pai, o cara que me bancou e me mimava, estava em uma cadeira de rodas", lembra. "E eu tinha um alto luxo em Higienópolis e descia para fumar pedra. Também estava viciado em sexo. O meu alcoolismo era aquele negócio de acordar de manhã e ter que tomar alguma coisa. Aí, depois, vinha a internação. Era uma cultura, né, brother? Os caras achavam legal cantor de rock ser muito louco, internado e tal", acrescenta.
Já bem diferente do perfil de roqueiro, Catalau se vestiu de terno quando aceitou ser tratado na Assembleia de Deus do Bom Retiro. "Fazia tudo de boa, sem questionar." Apesar de ter demorado a se sentir à vontade naquele ambiente. "As pessoas olham para os crentes e acham uma parada louca. É muita viagem. Eu também pensava assim. Não cometi nenhum suicídio intelectual", avisa.
Ele começou a ler a Bíblia e outras obras evangélicas para contrapor os pastores com quem lidava. "Mas fui dixavando tudo e pensei: que irado, que irado! Percebi que o errado era eu, que 80% da doença da dependência vêm do espírito", calcula. Na Bola de Neve de Boiçucanga, não há motivo para jovens como Gabriel Medina se sentirem surfistas fora d’água.
O pastor André Catalau se preocupa até em se vestir com as roupas esportivas que patrocinam o campeão do WCT (comprou de última hora uma camiseta regata e uma bermuda com a assinatura do novo ídolo nacional na loja da família de Miguel Pupo, 19º do mundo) apenas para conversar com a reportagem no litoral norte de São Paulo. Depois desse compromisso, ele ainda pegaria onda na praia da Baleia e demonstraria já alguma intimidade com a prancha - ao contrário dos tempos em que "era o maior calhordão, colocava uma parada no cabelo e surfava só para se mostrar para as menininhas".
Foi também o jeito extrovertido de Catalau que atraiu Simone Medina, mãe de Gabriel, à Bola de Neve. A confiança no ex-usuário de drogas é tamanha que ele chegou a celebrar o casamento religioso entre ela e Charles Serrano (padrasto do campeão mundial de surfe), em uma cerimônia ao ar livre em Maresias. "A palavra foi irada, sobre proteger o amor deles. Eles se emocionaram muito. Estava crowd (cheio), com toda a galera do surfe presente", relembra o antigo líder do Golpe de Estado, cujo filho caçula, André, estuda na mesma escola da herdeira do casal, Sophia.
Guru de Gabriel Medina na conquista do WCT e agora incentivador da carreira de Sophia, Charles não é evangélico, mas aprova que o pupilo se escore na religião para fazer sucesso nos mares. O surfista aumentou a sua crença na primeira vez em que pisou na Bola de Neve, de acordo com Catalau, em 2011. "O Gabriel havia torcido o pé e me pediu uma oração para ficar legal, já que correria uma etapa em Hossegor, na França. Está limpo, né? Mas, aí, ouvi uma voz na minha cabeça: ‘Fala que vou dar esse troféu para ele’. Sou meio cabreiro... Queria ficar na minha, mas contei: ‘Essa manobra que você está tentando vai te dar o título’", narra o pastor.
Na lembrança de Catalau, Gabriel ficou com os olhos arregalados depois daquela premonição, uma vez que não teria revelado para ninguém (além do padrasto Charles) o ensaio de uma nova manobra. Simone também se surpreendeu. Já no Brasil depois de ser campeão na França, o surfista ofereceu um café em sua casa para o pastor da Bola de Neve. E quebrou a máquina da mãe. "Caiu café para tudo quanto é lado. Foi sensacional. A gente se divertiu como duas crianças. Ele é um menino bom, sem maldade. Quando vai fazer exame antidoping, diz que o máximo que pode acusar ali é um chocolate quente. Pô, que delícia ouvir isso", sorri.
Entre um café e um chocolate quente, Gabriel Medina vai à Bola de Neve de Boiçucanga sempre que possível, apesar do assédio dos demais fiéis. Também gosta de receber visitas do pastor em sua casa antes de viajar para competir. Só não foi batizado pela igreja nas águas de Maresias, como ocorreu com a sua mãe e com toda a família de surfistas Pupo. "Isso vai acontecer no tempo dele", diz Catalau. "O Gabriel já reconhece que tudo que aconteceu não foi só por força própria. Temos um monte de garotos que surfam para caramba aqui. Por que esse é o campeão mundial? Ele sabe que foi por causa de Deus. Tem mais fé em Deus do que no surfe dele, tá ligado? Foi isso que o levou ao topo", completa.
A fé que conduziu Gabriel Medina ao título mundial foi a mesma que tirou André Catalau das drogas e do rock. A exemplo do que ocorre com o amigo Rodolfo Abrantes, antigo líder da banda Raimundos, a sua mudança de vida ainda causa estranheza nos ex-companheiros do Golpe de Estado. "Pensam que pirei, que cheguei ao último degrau da loucura. E cheguei mesmo, graças a Deus, que me botou em uma parada diferente. Não carrego os meus legados malditos", agradece, apesar de demorar a convencer alguns fãs.
Uma delas, preocupada em acabar com o vício do marido em drogas, o levou até a Bola de Neve e desesperou-se quando descobriu quem era o pastor: "O Catalau? Do Golpe? Isso é baixaria! O cara é muito louco! Você precisando parar de fumar e vai ver o Catalau?". O receio é desnecessário, garante André Catalau.
"Hoje, entro em boteco, vejo os caras fumando e cheirando, vou a biqueiras buscar os meninos, me chamam na cadeia para falar com o pessoal... E é tranquilo. O antigo Catalau não faz mais parte da minha natureza", prega o pastor, para quem o campeão mundial Gabriel Medina virou o novo exemplo para tratar jovens drogados do litoral norte de São Paulo. Do alto do seu púlpito de prancha de surfe, ele agora encara como uma missão salvar esses dependentes e formar cidadãos um atrás do outro. Como uma bola de neve.

28 novembro 2014

Ceni é o retrato definitivo do Tricolor


Quando falamos sobre relacionamentos, é de crença popular que nascemos para alguém, ou que em determinado momento da vida encontraremos a pessoa certa, e que saberemos no mesmo instante que não há outro alguém que possa sê-lo. Acredito que, no futebol, não é diferente.
Não há dúvidas de que Rogério Ceni nasceu para o São Paulo. Mas hoje, após a eliminação diante do Atlético Nacional da Colômbia pela Sul-Americana, tive a certeza de que o São Paulo nasceu para Rogério. Muitos já vestiram o manto, conquistaram inúmeros títulos pelo clube do Morumbi e tornaram-se ídolos, mas Rogério foi, está e vai além. A camisa 01, as luvas e as chuteiras são uma armadura que o goleiro veste a cada jogo como se fosse o último, e o escudo no peito não é visível somente fora, mas também em seu coração.
Ceni passou por momentos incríveis na carreira, como a conquista da Libertadores e do Mundial de Clubes em 2005, e por terríveis pesadelos como a falha que custou a derrota para o Internacional na final da Liberta de 2006. Quando esteve por baixo, muitas vezes foi cobrado especialmente pelo fator idade. “Rogério está velho", “devia parar". Em momentos de raiva, confesso também ter pensado isto. Mas o que seria do São Paulo sem Rogério? Não consigo imaginar. Mesmo. A relação de amor entre Ceni e o Tricolor é tão forte e longeva que lembra aquele tipo de casamento duradouro dos nossos avós, que será lembrado de geração em geração. Você não consegue imaginar um “divórcio" de quem você vê junto há tantos anos.
Nesta temporada e, especialmente no jogo de hoje, vi Ceni mais líder do que nunca, em excelente forma e com uma voracidade semelhante a de um garoto de 20 anos. Fez defesas incríveis e decisivas, foi um dos artilheiros do time na temporada, quebrou recordes atrás de recordes. Esteve mais forte nas preleções do que nunca. Foi o líder e espelho do que o time apresentou durante toda a temporada- aliás, a melhor desde o tricampeonato brasileiro. E calou a boca de muita gente; calou a minha, que achava que não poderia mais ser surpreendido pelo camisa 01. Mas ele é mito, e não é chamado assim à toa;o é pelo que faz dentro de campo e especialmente nos bastidores do Tricolor.
Rogério foi espetacular na noite desta quarta-feira. Fez defesas importantíssimas, converteu o único dos três pênaltis cobrados pelo time e quase defendeu duas das cobranças do Nacional. E, vendo o ano terminar  - seu último ano como jogador – na quarta cobrança convertida pelo time colombiano, seu sonho de despedir-se com um título acabou. Em um misto de emoções que envolve desde a tristeza da derrota, do fim próximo de carreira e o orgulho de ter visto o São Paulo lutar até o fim, ainda mais depois de um ano incrível – dele e de toda a equipe – Ceni concedeu entrevista claramente embargado. “[...] Só tenho a agradecer. É um puta orgulho fazer parte de um time bacana como esse. A gente só lamenta o fato de não poder disputar o título.
A emoção de Rogério me emocionou. E percebi que Rogério Ceni é o “jogador da vida" do São Paulo. Talvez o São Paulo tenha outros ídolos, outros grandes goleiros e capitães no futuro, que talvez até cobrem faltas e pênaltis também. Denis já vem treinando cobranças de falta. Torço pra que ele seja um grande goleiro e ídolo, caso suceda de fato Rogério. Mas amor, é um só. E este é Ceni, o retrato definitivo do Tricolor.
Fonte: Lance Activo!
Imagem: iG

21 outubro 2014

A falta de Rogério Ceni



Rogério Ceni mandou a bola no ângulo e fez um golaço contra o Bahia. Dos mais bonitos dos 123 gols que o camisa 01 marcou na carreira. Apenas cinco a menos que um dos maiores camisas 10 do São Paulo – Raí. Um daqueles gols que vale a pena rever e comentar. Para muitos jogadores seria dos mais bonitos da carreira.

Para Rogério foi mais um. Embora possa ser o último. E por isso também Ceni é o número um. Desde o primeiro gol, em Araras, em 1997, ele faz e celebra como se fosse nem o primeiro e nem o último. Mas o único. Por isso ele vai além. Rogério é único como deverá ser única a marca dele como artilheiro-goleiro. Como goleiro-goleiro, no clube de Poy, Sérgio, Valdir Peres e Zetti, Rogério está entre esses bambas todos. Mas, como artilheiro, como ídolo, como são-paulino, como mito, Rogério está em um nível em que um golaço nem mais é tão festejado como deveria. Ele banalizou o espetáculo. Na melhor acepção possível.

O problema, agora, será em algum tempo o tricolor olhar para a meta e não ver aquele magrelo de poucos cabelos fazendo das dele. O problema, em breve, será uma falta de qualquer lugar ser marcada a favor do São Paulo e não se ver mais os olhos de todos os estádios voltados para aquela tradicional abaixada de cabeça e trote em direção à meta rival. Quando o são-paulino berra e os adversários temem. Ou tremem. Ou ambos. Quando Rogério vem fazer o jogo de Ceni. E só dele. O São Paulo terá outros ótimos cobradores de faltas. Também de pênaltis. Claro que terá. Mas nunca mais uma falta próxima da área rival fará o torcedor tricolor olhar para a própria meta esperando a vinda do cobrador.

Outros clubes perderam seus ídolos. Craques. Mitos. Poucos com tanto tempo e tão corrida ficha prestada como a de Rogério. Mas só o São Paulo sofrerá a perda de um gesto inconsciente ainda que tão consciente. A olhadinha pro próprio gol na expectativa de mais um gol de falta. Nenhuma torcida na história do futebol teve tantas vezes essa sensação. Não será fácil se acostumar. Mas muito mais difícil foi criar esse sentimento. Quase uma certeza. Lá vem Rogério! Lá vai com ele uma história eterna.

Por Mauro Beting em 20.out.2014